As cerimônias em casos específicos

Abaixo enumeraremos alguns casos:

Suicídio:

Na literatura Rabínica é considerado como uma falta de fé no Criador (significando que o(a) falecido(a) abdicou de princípios como “Providência Divina Particular”, “Provas de Auto-Sacrifício” e “Salvação” entre outros); dessa forma, a pessoa não possui o mérito de descansar em paz com os demais no cemitério, pois retirou de si própria aquilo que não era seu, mas apenas um empréstimo temporário – sua própria vida, e ainda sem um motivo que justificasse, acarretando no sepultamento em local separado e se dizendo que dessa forma não teria o mérito de ressuscitar no fim dos dias, inclusive fazendo com que a família não guardasse luto e que a cerimônia de sepultamento fosse de forma abreviada. Em nossos dias, a literatura Rabínica tende a convergir sobre o ponto de vista que o suicídio não é cometido na maioria das ocorrências por falta de fé e sim por motivos psico-patológicos. Sendo assim, a cerimônia de sepultamento e o luto transcorrem normalmente (em um caso desses, a decisão virá da administração, ouvido um rabino, sendo que não é decisão do Chazan).

 

Auto-Sacrifício (“Kidush Hashem”):

Nossos sábios trazem uma frase dos profetas a qual exemplifica esse fato: “Pelos Meus Queridos Eu Serei Santificado”, o que significa dizer que todos os argumentos e situações são criados no Céu e D’us conduz a tudo com misericórdia, fazendo-nos crer que este falecimento ocorreu para que se glorificasse Seu Grande Nome, Abençoado e Bendito Seja Ele. O ato do consolo para essa família é feito exemplificando que em toda nossa história, nossas vidas e a de nossos antepassados foi repleta de auto-sacrifícios e heroísmos com o nosso próprio sangue e conforme citação dos profetas: “D’us promete que expiará pela casa de Jacó e por Seus filhos fará Justiça…”

 

Acidentes:

O caso de acidente é na verdade um tipo de “Ato das Mãos de D’us”, no qual o auto-sacrifício foi transvestido em uma forma de ato natural e esta é a interpretação rabínica aceita comumente hoje em dia.

Assassinatos:

É considerado um caso de “Auto-Sacrifício” (Kidush Hashem), sendo que se considera um “Ato das Mãos de D’us”.

 

Bebês:

Caso especial que pode ser subdividido conforme a seguir:

Natimorto: Natimorto: caso especial em que se faz o brit em meninos (sem benção) e coloca-se o nome em todos os casos (masculinos e femininos), sendo que se procede ao sepultamento com rituais especiais;

Incubadeira: Caso em que se repete o procedimento acima, porém, deve-se consultar o rabino para saber se o período em que esteve na incubadeira conta ou não como período de vida. Procede-se ao sepultamento com rituais especiais, procedendo-se à Milá, se menino, e colocando-se nome em todos os casos (masculinos e femininos);

Até 30 dias de vida: procede-se como no caso de natimorto, porém não se guarda luto. Procede-se ao sepultamento com rituais especiais e procede-se à Milá, se menino, colocando-se nome em todos os casos (masculinos e femininos);

Acima de 30 dias: faz-se período de Avelut normal e procede-se de forma normal como qualquer outro falecimento, observando a Milá, se menino, caso ainda não tenha sido feita.

 

Filhos Jovens:

De uma forma geral, é um sofrimento maior para os pais que vêem um filho partir, ainda mais na juventude. Caso extremo em que se deve cuidar de apressar um pouco a cerimônia se necessário, evitando deixar os entes queridos mais machucados; porém a cerimônia e o luto são completos.

 

Pessoas que tinham má fama, como bandidos, traficantes, etc:

Deve-se ter em mente que aquilo que foi feito em vida traz conseqüências do outro lado, porém é sabido que D’us espera que todos consertem e expiem pelo que fizeram e que com certeza é sabido que “um Chozer BiTeshuvá alcança aonde nem os Justos são capazes de galgar”, e que este deve ser o consolo dos familiares.