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Pesquisador defende fundo perpétuo para a manutenção dos cemitérios no futuro

Renato Cymbalista, 47 anos, é arquiteto e urbanista, mestre e doutor pela FAU-USP, com pós-doutorado em história pela Unicamp. É professor do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU-USP, onde coordena o grupo de pesquisa “Lugares de Memória e Consciência” e integra o Laboratório para Outros Urbanismos. Publicou, entre outros, “Cidades dos Vivos: arquitetura e atitudes perante a morte nos cemitérios do Estado de São Paulo” (Anna Blume/Fapesp) e “Sangue, Ossos e Terras: os mortos e a ocupação do território luso-brasileiro” (Alameda/Fapesp).

CK Informa – Considerando os cemitérios como locais sagrados e, ao mesmo tempo, espaços de história e de memória de uma cidade, de um povo, de uma comunidade, como a cremação é vista por pesquisadores da presença da morte nas cidades?
Renato Cymbalista
– Existem duas visões que prevalecem: uma delas é a que defende a cremação por conta de argumentos técnicos: seria uma solução mais adequada do ponto de vista dos recursos ambientais, pois não haveria espaço ilimitado para sepultamentos. A outra visão vem da história, e foi elaborada pelo francês Philippe Ariès, que afirma que a cremação seria a total desmaterialização das relações entre vivos e mortos na sociedade, o estágio mais acabado de uma sociedade que silencia a morte e os mortos, e transforma a morte no grande tabu.

Ainda que na cidade de São Paulo haja cemitérios situados em áreas residenciais, como o São Paulo, em Pinheiros, na cultura brasileira, cemitério é um local que costuma gerar certa resistência entre as pessoas, sendo associado a assombrações e mau agouro. Por que?
Vejo duas dimensões dessa má reputação dos cemitérios. A primeira delas tem a ver com o tabu da morte na nossa sociedade: como já há mais de um século estamos tentando segregar os mortos de nossas vidas, tudo o que lembra a morte é mal visto, e os cemitérios são o espaço essencial dos mortos. A segunda tem a ver com alguns mortos específicos e remete a crenças ainda mais antigas. O nosso imaginário social dá sentidos específicos a pessoas que morrem em situações especiais, vítimas de violência, ou após uma vida errada, ou mortes muito jovens decorrentes de doença. Segundo essa ideia, essas pessoas que não tiveram boas mortes (ou boas vidas) deixam uma certa “dívida” por aqui, alguns assuntos pendentes que precisam ser resolvidos. Esses são os mortos que viram almas penadas, assombrações, e o cemitério é também um lugar onde essas almas aparecem. Eu acho que não devemos tratar essas representações como algo folclórico ou ridículo. A morte é algo que não conseguimos explicar inteiramente na nossa racionalidade, e o cemitério é um dos lugares onde nos lembramos disso. E aquilo que a racionalidade não alcança acaba sendo preenchido por outros significados, e para preencher esse espaço entram os mitos, as superstições, a ficção, a arte. Prefiro olhar para essas histórias dessa forma, acho que tudo fica mais interessante assim.

Existe alguma possibilidade de cemitérios situados em bairros nobres da cidade virem a ser desapropriados pelo poder público, devido à valorização de seus terrenos?
Espero que não. Para além dos significados afetivos para cada um que tem seus mortos sepultados nesses locais, os cemitérios são importantes para toda cidade. Os cemitérios são recursos históricos, paisagísticos, ambientais, de memória. Algumas pessoas se acham superbacanas quando defendem que os cemitérios deveriam virar parques, que eles são um desperdício de espaço. Eu discordo dessa posição, por mais de um motivo. Em primeiro lugar, isso desconsidera a memória de todos que têm parte de sua história projetada nos cemitérios, e isso vai ficar ainda mais forte à medida que a nossa sociedade envelhece, pois são os idosos aqueles que se relacionam com mais intensidade afetiva com os espaços dos mortos. Em segundo lugar, os cemitérios públicos já são espaços abertos e que podem funcionar como parques com as ações e políticas adequadas – o Serviço Funerário de São Paulo já fez muitas ações nesse sentido nos últimos anos, espero que elas prossigam. Em terceiro lugar, os custos disso seriam muito grandes, pois nos cemitérios mais centrais os túmulos foram concedidos às famílias, elas são na verdade concessionárias, e elas pagaram por isso, e bem caro. Elas não podem ser simplesmente expropriadas. Para falar a verdade eu nem sei se o Estado teria instrumentos jurídicos para essa expropriação.

A Associação Cemitério Israelita de São Paulo deu início, há alguns anos, ao chamado Fundo Perpétuo para garantir a manutenção futura dos campos santos, evitando que fiquem abandonados quando sua vida útil tiver se esgotado. Qual a sua avaliação de iniciativas como essa?
Sou totalmente a favor disso. A vida afetiva de um túmulo é também limitada, na terceira ou quarta geração as pessoas vão deixando de zelar pelos túmulos até mesmo porque as vezes os responsáveis não conheceram ou pouco conheceram os mortos. Me parece ser uma estratégia parecida com os “endowments” das universidades americanas, que são fundos em dinheiro que garantem o funcionamento presente e o futuro da instituição. Eu confio que a Chevra vai gerir de forma responsável o fundo perpétuo, para que ele seja mesmo perpétuo.

Posse da nova diretoria (2017 – 2020) é destaque no ‘Shalom Brasil’ de5/04/17

 

Cremação vai contra os princípios do judaísmo

Rabino Henry I. Sobel

O cemitério judaico é um local de encontro com o nosso passado. Ao visitar aqueles que partiram, sentimos sua contínua presença em nossa vida. Tal sentimento se coaduna perfeitamente com um dos nomes que designam o cemitério em hebraico: Beit Chaim, ‘Casa da Vida’.

Uma entidade que tem sob seus cuidados um cemitério judaico é, por sua própria natureza, um dos alicerces da comunidade. A Chevra Kadisha é, literalmente, uma ‘sociedade sagrada’, composta de belos seres humanos que se dedicam de corpo e alma a preservar a dignidade dos mortos. É um trabalho dos mais nobres.

Kibud há’met, o respeito pelos mortos, é um princípio fundamental do judaísmo e explica muitas das leis relacionadas ao sepultamento. É com base nesse preceito que se proíbe a cremação. Somos ordenados a “retornar o corpo ao solo” (Gênesis, 3:19) e deixar que ele se decomponha naturalmente, sem interferência externa.

A cremação é considerada uma mutilação da substância física do falecido e uma ofensa à essência de seu espírito. Somente honrando o passado é que podemos assegurar o futuro.

A Páscoa Judaica

Clara Kochen*

Se fosse possível resumir em uma só palavra o significado da Páscoa Judaica (Pessach), essa palavra seria ‘liberdade’. A Páscoa hebraica comemora todos os anos, durante uma semana, a saída dos judeus do Egito onde eram escravos, rumo à liberdade.

Todos nós que somos escravos de horários, trabalho, deveres e obrigações sabemos o valor dos momentos em que podemos nos liberar desses compromissos e por analogia passamos a compreender o porquê da alegre comemoração desse evento.

Comemorando a redenção da escravidão, reúne-se a família durante as duas primeiras noites dessa semana em jantares festivos onde é contada a história da longa caminhada pelo deserto, ensinando especialmente às crianças, os princípios éticos e o ideal que manteve o povo unido na esperança de serem livres.

Episódios bíblicos dessa ocasião determinaram o costume de não comer pão ou alimentos fermentados durante esses dias, o que fez com que as famosas mães judias criassem, para compensar, um original e criativo festival gastronômico nessa semana.

A observância dos preceitos e tradições da Páscoa e seus costumes variam de acordo com o país de origem da família e também com seu grau de religiosidade.

Mas, como em todas as ocasiões de alegria do povo judeu, é importante lembrar o preceito de louvar a D’us, enviando donativos e alimentos para os necessitados.

A páscoa judaica e a páscoa cristã, embora distintas em sua essência, abordam ambas o mesmo tema da libertação, do ressurgimento e da esperança. Mencionar diferenças conduz ao afastamento, mas quando o enfoque são as semelhanças, a tendência é a união.  E união é PAZ, é SHALOM.

*Clara Kochen é presidente do Conselho Deliberativo da Chevra Kadisha.

 

Pagamento da manutenção em 2016 será por meio de carnê

O carnê é composto por 14 boletos, sendo 12 mensais e consecutivos de janeiro a dezembro, 1 referente ao décimo terceiro e 1 para opção de pagamento de parcela única, com 8% de desconto. Aqueles que possuem DDA – Débito Direto Automático contratado junto ao seu banco, além de receber os boletos por meio eletrônico, também receberão os carnês em sua residência. Para saber a referência do carnê, verifique no campo “Sacador/Avalista” no corpo do boleto o nome do beneficiário. Em caso de vencimento da parcela, a mesma poderá ser reemitida on-line, no endereço https://www.itau.com.br/servicos/boletos/atualizar/. Mais informações pelo telefone 3329-7070, ramais 710 ou 712, ou pelo e-mail  faleconosco@chevrakadisha.org.br.

 

Presidente da Chevra, Claudio R. Hirschheimer concede entrevista ao Mosaico na TV (agosto/2015):

Programa Mosaico acompanha estudantes do Renascença no Cemitério de Vila Mariana (março/2015)

Reportagem no ‘Shalom Brasil’ aborda visita de alunos do Renascença ao Vila Mariana (março/2015)
https://youtu.be/d8pqi_qq8sY

Em série sobre os 70 anos da libertação de Auschwitz, Jornal da Record destaca Monumento em Memória às Vítimas do Nazismo, no Butantã (janeiro/2015)

 

Colégio Renascença inclui visita ao Vila Mariana no Ensino Médio (janeiro/2015)

  • Portal Pletz destaca 95 anos do Vila Mariana e sepultamento no Embu (setembro/2014):

 

http://www.pletz.com/blog/cemiterio-judaico-da-vila-mariana-completa-95-anos/

http://www.pletz.com/blog/um-enterro-digno-para-um-judeu-abandonado/

 

  • Atuação religiosa da Chevra é tema de reportagem no programa Shalom Brasil (agosto/2014):

 

Chevra participa da Marcha da Vida Regional
Cerca de mil pessoas participaram da 11ª Marcha da Vida Regional (foto no alto da página), promovida pela Chevra Kadisha e Federação Israelita do Estado de São Paulo, com o apoio da Sherit Hapleitá do Brasil. O ato foi realizado em 27 de abril de 2014, com uma caminhada silenciosa de 2 Km pela av. Eng. Heitor Antonio Eiras Garcia até o Cemitério Israelita do Butantã, onde foram acesas tochas em memória aos 6 milhões de judeus mortos pelo nazismo na Europa (1939 – 1945).


Posse da diretoria (gestão 2014-2017) em destaque no Shalom Brasil (abril/14):