Keriá – Rasgar as Roupas

1. Aquele que perdeu um parente próximo tem a obrigação de fazer a Keriá (rasgar sua roupa). Esta consiste em uma obrigação de ordem rabínica muito rigorosa. O prazo da keriá a princípio é desde o falecimento até cobrir o corpo com terra. No entanto, entre os Sefaradim, muitos costumam fazer a keriá somente ao voltar para casa após o enterro. O costume entre os ashkenazim, é fazer a keriá antes de levar o corpo de casa, ou do último local antes de ser levado para o enterro. Antes de fazer a keriá deve recitar a berachá: “Baruch Atá A-do-nai E-lo-hênu Melech haolam Dayan haemet” – “Bendito és Tu, Ó Senhor nosso D’us, Rei do Universo, o juiz verdadeiro”.

2. Em Shabat e Yom Tov é proibido fazer a keriá. Em chol hamoed, só pode fazer a keriá o(a) Filho(a) do(a) falecido(a). Os demais enlutados fazem a keriá após o último dia de Yom Tov. No entanto, a brachá de “dayan emet” deve ser recitada por todos na hora da saída do enterro, mesmo aqueles que não irão fazer a keriá.

3. O enlutado que não fez a keriá antes do enterro, deve fazê-la durante os sete dias de Shivá. No entanto, após o terceiro dia de luto, não se recita a berachá acima completa, recitando apenas sem o nome de D’us da seguinte forma: “Baruch Dayan Haemet”. Caso tenha passado o período da shivá e não foi feita a keriá, no caso que ele poderia ter feito, esta não é mais feita. Isto trata-se apenas de outros parentes que não seja o pai ou a mãe. Sobre os pais, o enlutado que não fez a keriá durante a shivá, tem a obrigação de fazê-lo na primeira oportunidade, sem limite de prazo.

4. A keriá deve ser feita de pé, sem se apoiar em nada, salvo em caso de doença. Caso a keriá foi feita sentado, esta deve ser repetida. O próprio enlutado deve rasgar suas roupas se possível. O costume é que alguém inicia com um corte com faca ou tesoura e o enlutado termina rasgando com as próprias mãos, sem o uso de utensílios. Porém sobre outros parentes, fora o pai ou mãe, pode se quiser fazer a keriá com um utensílio. O corte deve ser feito na vertical e não na horizontal, acompanhando o comprimento da roupa, a partir da borda, de forma a separar o corte em dois.

5. Sobre o pai ou mãe, a keriá deve ser feita no lado esquerdo superior da roupa, sendo que devem ser cortadas todas as roupas até revelar o coração (paletó, camisa, malha, etc.), porém não há necessidade de cortar o sobretudo e a camiseta de baixo (usada para proteger do suor) nem o talit catan (tsitsit). Sobre os demais parentes, deve se cortar do lado direito superior, bastando apenas a roupa superior. O tamanho do corte é de no mínimo 8 cm, sendo que em demais parentes, fora pai e mãe, não se deve acrescentar muito à esta medida. A keriá deve ser feita no lado da frente da roupa, caso esta foi feita no lado de trás ou inferior, não foi válida devendo ser repetida no local certo.

6. Se dois parentes faleceram ao mesmo tempo, ou a notícia do falecimento de dois parentes chegou ao mesmo tempo, basta um único corte para os dois. Isto é válido mesmo para quem perdeu ambos os pais ao mesmo tempo. No entanto, se um dos parentes for o pai ou a mãe, e o outro se tratar dos demais enumerados acima, deve ser feito um corte separada para o pai ou mãe (no lado esquerdo), e outro para os demais parentes (no lado direito).

7. O enlutado deve vestir a roupa rasgada de preferência até o final da Shivá. No caso de muita necessidade pode trocar a roupa durante a Shivá, porém se o luto for pelo pai ou mãe, esta roupa trocada deve ser também rasgada conforme as leis acima.

8. Durante o Shabat, deve se trocar de roupa, não podendo usar as roupas rasgadas, porém estas devem ser trocadas não muito antes da entrada do Shabat, e logo após o Shabat, o enlutado deverá vestir novamente as roupas rasgadas.

9. Logo após levantar da shivá, estas roupas podem ser trocadas.

10. A roupa que foi rasgada pode ser costurada somente após trinta dias do luto. Porém no caso do falecimento de pai e mãe, as roupas rasgadas jamais podem ser costuradas. No entanto, a roupa pode ser costurada de forma irregular após a shivá, no caso de outros parentes, ou após trinta dias, pelo pai ou mãe, no entanto deve-se evitar fazê-lo.

A Keriá em crianças

11. Uma criança, ou seja, meninos abaixo de 13 anos e meninas abaixo de 12 anos, não tem a obrigação de rasgar as roupas em sinal de luto. Porém existem idéias que se eles já têm idade de entender o luto, devem fazer a Keriá se estiverem presentes na hora do enterro ou do hesped, discurso fúnebre. Caso a criança não tem idade de entender o luto, rasga-se a roupa dele só um pouco para despertar a dor do luto nos demais parentes.