Keriá

Aquele que perdeu um dos parentes próximos (pai, mãe, filho ou filha, irmão ou irmã, cônjuge) tem a obrigação de fazer keriá (rasgar a roupa). O costume entre os ashkenazim é fazer a keriá antes de levar o corpo de casa ou no último local antes de ser levado para o enterro. No entanto, entre os sefaradim, muitos costumam fazer a keriá somente ao voltar para casa após o enterro.

A keriá deve ser feita de pé, sem se apoiar em nada, salvo em caso de doença. Alguém (homem para enlutados e mulher para enlutadas) inicia o corte com faca ou tesoura e o enlutado termina, rasgando com as próprias mãos. O corte deve ser feito na vertical, acompanhando o comprimento da roupa, a partir da borda, de forma que o corte separe a roupa em dois.

A keriá relativa ao pai ou à mãe deve ser feita do lado esquerdo superior da roupa, que deve ser cortada até revelar o coração (paletó, camisa, malha etc.) – não há necessidade de cortar o sobretudo e a camiseta de baixo, nem o Talit. Quanto aos outros parentes enumerados, deve-se cortar a roupa do lado direito superior.
O tamanho do corte é de, no mínimo, 8 centímetros, sendo que não se deve ultrapassar muito essa medida, exceto para pai e mãe.
O enlutado deve vestir a roupa rasgada, de preferência, até o final da shivá. Durante o Shabat, deve-se trocar de roupa, porém, não muito antes de seu início. Após o Shabat, o enlutado deve vestir novamente as roupas rasgadas.
Logo depois de se levantar da Shivá, estas roupas podem ser trocadas.

Fonte: rabino Shamai Ende in “Leis e Costumes do Luto Judaico” (págs. 10 a 11)